terça-feira, 19 de agosto de 2008

SOBRE A LINHA DE AFRICANOS




POVO AFRICANO

FORMA DE APRESENTAÇÃO E DE TRABALHO


 Apresentam-se como Entidades alegres, divertidas e sempre dispostos a ajudar quem seja, com risadas ou fazendo alguns sons que se assemelham a: “juia!”, “jujuia!”, “uiaa!”, “juii!”.
 Tanto os africanos como as baianas e as africanas são de rodar velozmente enquanto movem os braços compassadamente, depois de várias voltas, dançam sozinhos ou acompanhados, alguns vão pra frente e pra trás, enquanto outros um pouco encurvados fazem passos parecidos com o samba; outros ainda de lado a lado. Enquanto dançam, é comum ver que não se despegam de “garrafa” de bebida ou de um copo de barro que contém a bebida, pela qual, ao mesmo tempo em que dançam, estão fumando e bebendo.
 São bons conselheiros e conhecem muito de plantas medicinais e suas propriedades, ás vezes costumam receitar alguma infusão ou banho de diferentes ervas. Usam muito: a bebida e o tabaco em suas manifestações, trabalhando com a bebida costumam derramar um pouco dentro de alguns pontos riscado e também borrifando em forma de chuva para distanciar os males de alguém ou pra atrair algum outro Africano que deseja se manifestar. Com a fumaça dos charutos limpam as pessoas, consagram amuletos e assopram em pontos riscados de trabalho.
 Seus feitos geralmente fazem no piso, através de símbolos (pontos riscados de trabalho) feitos com pemba, pó de pemba, farinha, fubá de milho ou carvão, o que depende do tipo de trabalho que vai executar. Estes desenhos em algumas ocasiões agregam algumas ervas e folhas de diferentes símbolos e significados e servem para apoiar o trabalho que estão fazendo. Usam muito: a “fundanga” e velas acesas, trabalhando com o que tiver na mão. Um Africano para fazer um feitiço nunca dirá: “Me tragam milho, um frango, 7 velas, pipoca, etc”; porque na realidade essas coisas não correspondem ao seu conhecimento sobre como se deve fazer um feitiço ou um trabalho para limpar ou abrir o caminho, sua forma de trabalhar magicamente está na sabedoria africana (bantú) que traz em seu espírito como poder.
 O povo Africano está composto em sua totalidade por espíritos de negros escravos provenientes das zonas bantúes, preferentemente de Moçambique, Angola e Congo, que é de onde vem os primeiros grupos de escravos trazidos pelos portugueses, não existem “africanos nagô”, “africanos Yorubá”, nem “africanos don ou jeje”. Primeiro porque os Nagôs e os Jeje chegaram no último período da Colônia, que os integra como grupo de escravos primários que chegaram ao Brasil; segundo porque os escravos-ancestrais motos pelos Nagôs e Fon receberam cultos como Egun dentro das suas respectivas crenças: Orixá e Vodun. De acordo com as crenças Nagô e Jeje, os espíritos dos mortos não devem ser evocados para que “montem” aos Homens, quem deve “montar” nos Homens são as Divindades (Vodun e Orixá).

BEBIDAS QUE SE OFERECEM AOS ORIXÁS

 OS Africanos são Entidades cujos gostos variam de acordo com o tipo de falange a que pertencem, não existe uma bebida única e geral que seja do agrado de todos. É melhor sempre que o próprio africano incorporado em seu cavalo seja que peça a bebida que serve melhor para seus trabalhos espirituais.
 A bebida mais aceita e oferecida nas “giras de Africano” são os vinhos, sendo mais popular o vinho tinto, geralmente aceitado por todos (quando não existe outra opção). Na realidade, os Africanos desejam tomar alguma bebida alcoólica. A bebida que segue a popularidade é o marafo (cachaça). Logo, existem diversas combinações feitas a base de marafo ou do vinho, de acordo com a Entidade:

- Vinho tinto, Vinho Branco, Cachaça;
- Vinho tinto com pimenta malagueta moída;
- Vinho tinto com Ají (pimenta) moída, pólvora e uma pitada de sangue,
- Vinho claro com uma pitada de pólvora e Ají;
- Cachaça com pólvora, pimenta malagueta, sangue, pó de pemba;
- Cachaça com ervas maceradas;
- Vinho com ervas maceradas.

 As Baianas e Africanas, gostam de beber Sidra, Vinho com mel, cachaça com mel o vinho com ervas, ainda que também aceitam estas bebidas puras (sem mistura).

O TABACO

 As Entidades catalogadas como “Africanos” são Espíritos dos primeiros escravos que chegaram ao Brasil, especificamente daqueles que em vida foram grandes feiticeiros ou curandeiros. Eles já conheciam na África uma variedade de ervas que eram usadas para fumar em seus rituais. Ao chegar ao Novo Mundo, optam pelo uso da planta do tabaco, que era usada também pelos Pajés indígenas para seus transes. Além do mais, estes primeiros africanos não tinha contato com os índios, pois eles foram trazidos para que os indígenas não fossem submetidos aos trabalhos pesados nas plantações por pedido expresso dos “misioneros”, o que permitia conhecer o cachimbo (pipa) que é uma invenção dos povos indígenas. Por tal motivo, o “povo africano” em geral fuma charutos, ainda que aceitam também cigarros de “tabaco negro e naco em chala”, uma raridade que o africano fume cachimbo; este implemento é usado principalmente pelos Pretos Velhos, que em sua maioria descende dos Africanos e que aprenderam bastante da cultura local pelos anos e gerações em cativeiro.

DIA DE FESTA ANUAL

 O dia em que se realiza o festejo anual para o povo Africano é o dia de São João, 24 de Junho, comemorando-se com grandes fogueiras, mesas fartas de bebidas e comida que logo que se reparte entre a concorrência. De acordo com o sincretismo alguns centros de umbanda festejam no dia de São Cipriano, 16 de setembro. Outros realizam em ambas as datas.
 No dia 24 de Junho, se costuma fazer uma grande fogueira. Logo, os Africanos que estão presentes, passarão caminhando por uma trilha cheia de brasas em vermelho vivo, uma demonstração de seu poder sobre o domínio do fogo.

DIA DA SEMANA

 O dia da semana que se dedica ao Povo Africano é Segunda-feira.

ORIXÁ QUE REGE SOBRE ESTE POVO

 O Orixá eu comanda esse povo é Obaluaiyê. Pelo que se considera que é usado para o bem no Umbanda, o povo Africano tem a capacidade de “arrancar” males de todo tipo, deste conceito vem também o nome que lhe aplica. Quando usado para o mal, os Africanos são implacáveis feiticeiros que podem esparramar doenças e pragas de todo o tipo.

LINHA DAS ALMAS

 O povo Africano é integrante da Linha das Almas da Falange de Obaluaiyê, Orixá que tem duplas funções, pois participa passivamente (não chega, só comanda do plano astral) tanto na Umbanda como na Kimbanda. Alguns confundem os Pretos Velhos com esse povo, inclusive mesclam por também ser um povo integrante da linha das Almas, mas deve-se deixar claro que os Pretos Velhos integram a Linha das Almas como falange ligada a Omulu.
CORES

 A cor ligada aos Africanos, em geral é o Vermelho.

COLARES (GUIAS)

 As guias que são usadas pelos Africanos são colares de dentes de animais. Ainda que, quando o cavalo não pode conseguir um colar desse tipo utiliza uma guia de miçangas inteiramente vermelha.

ACESSÓRIOS NA VESTIMENTA

 A roupa dos cavalos da umbanda cruzada depende um pouco da casa, antigamente era comum que cada um se vestia com as cores de seu orixá de cabeça para entrar nas giras de Umbanda e em poucos lados se vestiam totalmente de branco. Hoje em dia, o uso de roupas totalmente brancas se implantou na maioria das casas, usando-se apenas alguns acessórios que distingue uma Entidade de outra (geralmente chapeis ou panos). No caso dos Africanos, quando chegam, colocam um chapéu de palha como os que davam aos amos para que usassem em suas plantações evitando que o sol ardente prejudicasse ao escravo (lembremos que os escravos eram uma inversão de que tinha que ser cuidado).
 Todos os Espíritos acostumam se apresentar sempre “vestidos” de acordo com a sua última reencarnação e trazem roupas que usavam ao momento de desencarnar. No caso das Africanas e Baianas também vêm vestidas de branco com saias amplas e panos na cabeça, eram roupas que também eram dadas aos amos, o branco se usava para poder vê-los melhor nos campos e plantações em caso de que tentassem uma fuga.

COMIDAS QUE OFERECEM

- Feijoada
- Farofa feita com toicinho, azeite de dendê, ovo e sal;
- Ovos cozidos polvilhados com pimenta branca;
- Lingüiça, calabresa, “morcilla”, salsicha, carne seca, etc.;
- Pirão;
- Canjica cozinhada com carne de porco, verduras e sal;
- Frango ou galinha de angola assada, cuja carne seja produto do sacrifício oferecido a estas Entidades;
- Recebem também diversas classes de frutas, dependendo do gosto de cada Entidade, as mais populares são as bananas e as laranjas.

ANIMAIS

 Dentro da Umbanda tradicional, estas Entidades diretamente não chegam, fazem na umbanda com influência africana ou “cruzada com kimbanda”, as que aceitam o sacrifício de animais e antigamente eram denominadas “macumba”. Existem casas que oferecem até animais de quatro patas aos Africanos, em “umbandas” que têm mais orientação até o “omolokó” ou o “candomblé de caboclo”, no entanto, o mais popular é oferecer unicamente frangos de cor escura, de preferência preta. Igualmente me parece interessante oferecer uma lista dos animais que se podem oferecer:

- Porcos
- Carneiros
- Galinhas de angola
- Frangos, galinhas ou galos escuros.
Em:19/08/2008. Desconheço a autoria.


Um comentário:

Anônimo disse...

muito interessante!! informa muito bem sob os africanos. pabéns